Lecanemab e Donanemab: novos tratamentos modificadores Alzheimer
Às 7h20, a xícara fica sobre a mesa e a pergunta volta pela terceira vez: que dia é hoje? A filha responde com calma, mas por dentro conta os segundos entre uma repetição e outra. O pai, que sempre administrou a casa com precisão, percebe a falha antes de todos. Sorri para disfarçar, muda de assunto, tenta não incomodar. É nesse território delicado, entre autonomia preservada e sinais que começam a se repetir, que os tratamentos modificadores Alzheimer passaram a ocupar as conversas das famílias desde 2023.
Lecanemab e Donanemab não são promessas de cura, nem apagam anos de doença já instalada. Eles pertencem a uma nova geração de anticorpos monoclonais anti-amiloide, desenvolvidos para atuar em fases iniciais do Alzheimer, quando há comprometimento cognitivo leve ou demência leve e confirmação de placas beta-amiloide no cérebro. Para a família, a pergunta raramente é apenas científica. Ela vem misturada com medo, custo, logística, risco de efeitos adversos, distância entre irmãos e uma dúvida honesta: se existe algo novo, como decidir sem cair nem na esperança ingênua, nem no pessimismo automático?

Quando a ciência chega antes da decisão da família
O avanço dos tratamentos modificadores Alzheimer trouxe uma mudança simbólica: pela primeira vez, a conversa saiu do campo exclusivo do alívio de sintomas e entrou no terreno da modificação do curso biológico da doença. No estudo CLARITY AD, publicado no New England Journal of Medicine em 2023, o Lecanemab reduziu em cerca de 27% a progressão do declínio clínico em 18 meses, quando comparado ao placebo, em pessoas com Alzheimer inicial e biomarcadores positivos para amiloide.
No mesmo período, o Donanemab ganhou força com o estudo TRAILBLAZER-ALZ 2, publicado no JAMA (Journal of the American Medical Association) em 2023. O ensaio mostrou desaceleração do declínio cognitivo e funcional em parte dos participantes, especialmente quando a carga de tau ainda não era muito avançada. A palavra central aqui é desaceleração. Para uma família, alguns meses de maior organização, menos perda funcional e mais participação em decisões podem ter valor enorme. Mas esse valor precisa ser pesado contra exigências clínicas rigorosas.
Nem todo Alzheimer inicial é candidato ao novo tratamento
A aprovação do Lecanemab pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos em 2023, seguida pela aprovação do Donanemab em 2024, consolidou o caminho regulatório nos Estados Unidos. Na Europa, a European Medicines Agency reavaliou o Lecanemab em 2024 com indicação restrita, reforçando o ponto que mais interessa ao cuidado real: esses medicamentos não são para qualquer pessoa com demência, nem devem ser iniciados sem investigação especializada.
Em geral, o perfil considerado nos estudos inclui pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer, com confirmação de amiloide por biomarcadores, avaliação neurológica detalhada, ressonância magnética prévia e condições clínicas que permitam monitoramento. Quem usa anticoagulantes, tem histórico de hemorragias cerebrais, múltiplas micro-hemorragias, fragilidade importante ou outras demências sobrepostas pode ter risco aumentado. A SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) reforça, em suas recomendações de cuidado geriátrico, a necessidade de avaliação ampla: a doença nunca deve ser vista isolada da funcionalidade, dos medicamentos em uso, da rede familiar e dos objetivos da pessoa idosa.
O ponto delicado chamado ARIA
ARIA (amyloid-related imaging abnormalities) é o nome dado a alterações vistas em exames de imagem associadas a terapias anti-amiloide. Pode aparecer como edema cerebral ou pequenos sangramentos. Em muitos casos é assintomática, mas pode causar dor de cabeça, confusão, tontura, alterações visuais, náuseas ou, raramente, eventos graves. Por isso, os protocolos internacionais exigem ressonâncias seriadas e vigilância clínica próxima, não apenas uma prescrição.
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O tratamento começa no consultório, mas se sustenta na rotina
Uma infusão quinzenal ou mensal reorganiza a vida de uma casa. Há deslocamentos, exames, autorizações, sintomas a observar, agenda médica e conversas familiares que precisam deixar de ser improvisadas. O National Institute on Aging (NIA) vem orientando famílias, desde 2023, a compreenderem que terapias anti-amiloide exigem confirmação diagnóstica, acompanhamento especializado e decisões compartilhadas, especialmente quando há comorbidades ou uso de medicamentos que aumentam risco de sangramento.
No cotidiano, o que parece detalhe vira segurança. Uma queixa de tontura no fim da tarde. Uma dor de cabeça diferente. Um episódio de confusão após a infusão. Uma queda sem explicação. O cuidador bem treinado não interpreta tudo como envelhecimento normal, nem transforma cada sinal em pânico. Ele registra, comunica, compara com o padrão habitual e aciona a família ou a equipe quando há mudança relevante.
Alguns pontos práticos merecem entrar no plano de cuidado desde o início:
- manter uma agenda única de infusões, exames, retornos e ressonâncias;
- registrar sintomas novos com data, horário, intensidade e contexto;
- revisar anticoagulantes, antiagregantes e outros medicamentos com a equipe médica;
- observar mudanças em marcha, equilíbrio, fala, visão, sonolência ou confusão;
- alinhar quem decide, quem acompanha consultas e quem recebe comunicações.
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Entre esperança legítima e prudência clínica
O maior risco diante de Lecanemab e Donanemab não é a esperança. A esperança é necessária. O risco é transformar uma opção complexa em corrida. A Alzheimer’s Association atualizou, entre 2023 e 2024, critérios e orientações para diagnóstico biológico da doença de Alzheimer, destacando biomarcadores, estágios e necessidade de interpretação por especialistas. Esse movimento ajuda a separar esquecimento benigno, outras causas reversíveis e Alzheimer inicial com maior precisão.
Também ajuda a família a fazer perguntas melhores. Qual é o estágio da doença? Há confirmação de amiloide? A pessoa idosa entende e deseja esse caminho? O benefício esperado conversa com seus valores? Há estrutura para exames e monitoramento? O tratamento pode ser interrompido se os riscos superarem os ganhos? Em doenças neurodegenerativas, decidir bem não significa fazer tudo. Significa fazer o que tem sentido clínico, humano e possível para aquela história.
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O que isso significa para as famílias
Para famílias brasileiras, a chegada desses medicamentos impõe uma camada adicional: acesso. Registro regulatório, disponibilidade, custo, cobertura por planos e critérios de indicação podem mudar rapidamente e precisam ser verificados caso a caso com neurologista, geriatra, operadora de saúde e bases oficiais da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Não é uma decisão que caiba em mensagens soltas de grupo ou em recortes de notícia.
A conversa mais madura costuma começar antes do orçamento e antes da prescrição: quem é essa pessoa hoje, o que ela valoriza, qual rotina sustenta sua dignidade, quem consegue acompanhá-la e quais riscos a família aceita assumir. Em Alzheimer inicial, preservar participação, previsibilidade e vínculo é tão decisivo quanto discutir moléculas. O medicamento pode ser parte do plano; ele não substitui o plano.
Cuidado que acolhe a decisão difícil
Há uma cena que se repete em muitas casas: a pessoa idosa concorda com tudo na consulta, mas à noite pergunta à filha se vai dar trabalho demais. Esse medo de pesar sobre os outros atravessa gerações. O cuidado profissional entra justamente para reduzir essa sensação de fardo, organizando a rotina sem sequestrar a autonomia, oferecendo presença sem infantilizar e traduzindo sinais clínicos para uma linguagem que a família consiga usar.
No Aging in Place, filosofia central da Duarte Sênior Care, envelhecer no próprio lar não significa ficar sem suporte. Significa integrar assistência, tecnologia, equipe e afeto ao cotidiano real da casa. Quando há demência inicial e possibilidade de tratamento modificador, essa integração é ainda mais valiosa: a casa precisa continuar sendo casa, mesmo quando passa a ter agenda médica, vigilância de sintomas e decisões compartilhadas.
Como a Duarte Sênior Care apoia este cuidado
Fundada em 2009 por Jamille Duarte de Assumpção, gerontóloga formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com pós em saúde do trabalhador, a Duarte Sênior Care atua em São Paulo com cuidado domiciliar humanizado, equipe multidisciplinar e visão gerontológica. Em casos de Alzheimer inicial, o papel da Duarte não é substituir o neurologista nem indicar medicamento, mas sustentar a rotina com segurança, comunicação e continuidade.
- Cuidadores capacitados para observar alterações cognitivas, funcionais e comportamentais, com passagem de informações estruturada para a família.
- Equipe multidisciplinar com gerontólogas, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia, apoiando funcionalidade, adaptação da rotina e bem-estar emocional.
- Prontuário eletrônico próprio com IA, agenda inteligente, monitoramento de sinais vitais e suporte diário das 5h30 às 22h, com auditoria contínua por gerontóloga/enfermeira.
A Duarte também oferece agilidade na alocação, capacitação contínua dos profissionais e ausência de vínculo trabalhista para a família. Em um cenário de terapias complexas, esses diferenciais deixam de ser conveniência e passam a ser parte da segurança. Antes do orçamento, vem a conversa.
Perguntas frequentes
Lecanemab e Donanemab curam o Alzheimer?
Não. Eles não curam o Alzheimer nem recuperam de forma garantida funções já perdidas. São medicamentos desenhados para desacelerar a progressão em fases iniciais da doença, em pessoas cuidadosamente selecionadas e com confirmação de biomarcadores compatíveis.
Quem pode ser candidato aos tratamentos modificadores Alzheimer?
Em geral, pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer, com evidência de amiloide cerebral e condições clínicas adequadas para monitoramento. A decisão exige neurologista ou equipe especializada, ressonância magnética e avaliação de riscos individuais.
Quais são os principais riscos desses medicamentos?
O risco mais discutido é a ARIA, que pode envolver edema ou pequenos sangramentos cerebrais. Também podem ocorrer reações infusionais e outros efeitos adversos. Por isso, o acompanhamento com exames de imagem e observação de sintomas é parte obrigatória do tratamento.
O cuidado domiciliar substitui o acompanhamento médico?
Não. O cuidado domiciliar complementa o acompanhamento médico. Ele ajuda a organizar rotina, registrar sinais, reduzir falhas de comunicação, apoiar adesão a consultas e exames e preservar funcionalidade, segurança e dignidade no dia a dia.
Vale a pena buscar esses tratamentos no Brasil?
Vale buscar informação qualificada, não uma resposta pronta. A família deve confirmar disponibilidade, registro, cobertura e indicação individual com especialistas e fontes oficiais. Em paralelo, precisa estruturar cuidado contínuo, porque o tratamento só faz sentido dentro de uma rotina segura.
Se você está vivendo essa jornada e busca acolhimento e orientação especializada, conte com a Duarte Sênior Care. Desde 2009 transformando o cuidado domiciliar em São Paulo com humanidade, técnica e tecnologia.
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Fontes
- New England Journal of Medicine. Lecanemab in Early Alzheimer’s Disease. 2023. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2212948
- JAMA (Journal of the American Medical Association). Donanemab in Early Symptomatic Alzheimer Disease: The TRAILBLAZER-ALZ 2 Randomized Clinical Trial. 2023. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2807533
- Food and Drug Administration. FDA Converts Novel Alzheimer’s Disease Treatment to Traditional Approval. 2023. https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-converts-novel-alzheimers-disease-treatment-traditional-approval
- Food and Drug Administration. FDA approves treatment for adults with Alzheimer’s disease. 2024. https://www.fda.gov/drugs/news-events-human-drugs/fda-approves-treatment-adults-alzheimers-disease
- National Institute on Aging. What causes Alzheimer’s disease? 2024. https://www.nia.nih.gov/health/alzheimers-causes-and-risk-factors/what-causes-alzheimers-disease
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Conteúdos e recomendações sobre envelhecimento, demência e avaliação geriátrica ampla. 2024. https://sbgg.org.br/
- European Medicines Agency. Leqembi: medicine overview and regulatory updates. 2024. https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/leqembi
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